Insuficiência do colo uterino

Meninas, recebi esses dias um relato muitoo bacana de uma leitora, grávida de 34 semanas, que foi diagnosticada com  Insuficiência do colo uterino,  o que significa dizer que seu colo do útero é mais “fraco” que o normal, ou que sempre foi mais curto, e que tende a dilatar e afinar sem que haja contrações, só pelo peso do bebê.
Esse “problema” pode acontecer com qualquer  mulher, mas nem todas conseguem diagnosticar no começo, algo super importante! Por isso pedi para que ela deixasse eu publicar aqui para vocês, pois achei LINDO, COMOVENTE e de SUMA IMPORTÂNCIA para todas as gravidinhas e futuras gravidinhas de plantão! Leiam, vocês não vão se arrepender:
Meu nome é Daniele, tenho 28 anos e  quero compartilhar com vocês um intervalo da minha vida, que é o mais feliz e ao mesmo tempo o mais doloroso e cheio de incertezas da minha trajetória. Enquanto minhas amigas, primas e até mesmo minha irmã que é quase 8 anos mais nova que eu sonhavam com carreiras ultra promissoras, com intercâmbios e inúmeras viagens culturais, eu me sentia até um pouco deslocada, pois quando perguntavam qual era meu sonho de vida, eu tinha a mesma resposta de quando ainda era uma menina: “vou dar continuidade aos negócios da família, casar com uma pessoa que eu amo e ter a minha Valentina, tudo isso, se possível, antes dos 30”.

Tudo estava saindo conforme o meu planejado e me sentia muito satisfeita e totalmente realizada.

Em março deste ano, após 2 anos e 5 meses de casada, descobri que estava grávida, a curiosidade e a felicidade eram tamanha que contei nos dedos a oitava semana com o objetivo de fazer a sexagem fetal. E quando o resultado saiu, não podia estar mais feliz: era uma menina, a minha desejada e tão esperada Valentina.

Meu coração, do meu marido e de todos os nossos familiares foi invadido por uma alegria que eu não consigo descrever. A partir daquele dia eu não era mais a Daniele, eu já era a mãe da Valentina e todos os meus desejos e anseios eram voltados a ela. Antes tudo aquilo que eu achava difícil, como manter o regime no final de semana, parar de comprar besteiras pra mim, me planejar melhor financeiramente, foram resolvidos como num passe de mágica, afinal eu queria me preparar fisicamente, psicologicamente e financeiramente para o melhor presente da minha vida: ela.

A vida profissional seguia como eu havia imaginado, continuava trabalhando com os meus pais e com muita disposição e vontade, pois realmente amo o comércio e amo o carinho que recebo diariamente de clientes e funcionários. Minha gravidez foi abençoada, afinal, não tive os famosos enjôos e as indisposições que quase toda grávida tem. Não havia perdido sequer um dia de trabalho desde que descobri a gravidez e me sentia forte e feliz.

E assim foi até as 25 semanas, tudo maravilhosamente bem. Até que na madrugada do dia 12 de agosto senti uma cólica leve e ao ir no banheiro percebi uma espécie de catarro na minha calcinha. Não me preocupei e ainda conversei com a Valentina: “hoje a mamãe abusou no trabalho, mas prometo que amanhã cedo não vou trabalhar”, afinal teria uma degustação no dia seguinte em que trabalharia até altas horas. Me deitei e dormi com tranquilidade.

Ao acordar, disse aos meus pais que trabalharia após o almoço pois não havia me sentido tão bem e por pura insistência e um toque de intuição resolvi ligar para o meu ginecologista, que pediu para que eu fosse até o consultório.

Meu marido não estava na cidade, por isso minha mãe me acompanhou, eu fui bastante desencanada, inclusive estava  torcendo para que não houvesse atrasos nas consultas, pois ainda precisava trabalhar. No caminho havia comentado com a minha mãe que o enxoval dela estava pronto e que já havia começado a ver  os preparativos para a festa de 1 ano.

Meu médico fez ultrassom pra ver a bebê e estava tudo bem, mas graças a Deus e a experiência, ele
pediu para fazer um exame de toque. Vi o rosto dele mudar… meu colo do útero estava aberto (fui diagnosticada com incompetência istmo cervical, um problema que atinge 1% das mulheres), sai do consultório diretamente para o hospital e teria que fazer uma cerclagem de emergência já na manhã seguinte, pois estava com dilatação e poderia entrar em trabalho de parto a qualquer momento.

Em menos de 24 horas o meu mundo desabou, o tempo era um paradoxo na minha situação: se a minha neném nascesse dificilmente sobreviveria, e ao mesmo tempo, a cerclagem, cirurgia que costuma ser bastante simples não é recomendada para gestantes com mais de 14 semanas. Era muito cedo para uma coisa e muito tarde para outra.  Meu médico foi bastante claro: Era um caso especial, com 10% de chance de dar certo.



A cerclagem foi realizada no dia 13 de agosto com sucesso graças a Deus e ao meu médico que é maravilhoso. Desde então estou de repouso absoluto e muito feliz por estar na cama há quase 60 dias, afinal, se estou aqui é porque minha guerreira Valentina está protegida dentro de mim.

A batalha ainda não foi vencida (mas acho que nenhuma mãe pode afirmar que as lutas chegaram ao fim ne? ), estou entrando nas 34 semanas e fico completamente satisfeita ao ver que alguns bebês que nasceram a partir desta data não tiveram complicações e tampouco precisaram ficar na uti neonatal.

Entreguei a vida da minha Valentina nas mãos de Deus, e a cada dia que passa sinto mais forte a presença Dele nas nossas vidas. Sinto confiança e gratidão por ter tantas pessoas maravilhosas ao meu redor, sobretudo minha mãe, meu pai, minha irmã e meu marido que não medem esforços para fazer meus dias mais alegres.

Percebi nestes quase dois meses que a maioria dos meus problemas não eram tão graves como eu julgava e que eu sou realmente forte, afinal, convivi e ainda convivo todos os dias com o medo de perder a pessoa que eu mais amo na vida.



Espero confortar o coração de todas as pessoas que estão passando por um momento difícil e dizer para que nunca percam a fé. Espero voltar em breve para apresentar a vocês minha princesa Valentina.

Imagem: Google

Marina Xandó

ESCRITO POR Marina Xandó

Idealizadora e editora chefe do Ask Mi, Marina é esposa, advogada, blogueira, dona de casa e mãe da Maria Victoria. Começou o AskMi para passar suas dicas adiante. Também é o cérebro - e coração - por trás do Concierge Maternidade AskMi, onde presta consultoria para grávidas, desde o enxoval até organização de recepções e festas.

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