Um dos piores dias da minha vida: a primeira operação da Vivi!

Hoje vou contar algo super íntimo para vocês, um momento da minha vida que foi difícil!  Desde que a Vivi nasceu eu percebia que o olhinho dela esquerdo lacrimejava mais do que o normal, especialmente quando ventava muito ou ela tomava banho de sol! Aos 9 meses de vida, a pedido da nossa pediatra, a levei a um oftalmologista especialista no assunto, o Dr. Sá em São Paulo.

Ele me instruiu a fazer massagem diariamente no olho da Vivi, uma técnica própria para esse probleminha. Nesse dia também fizemos um teste com um colírio especializado e fiquei de voltar quando ela completasse 12 meses. Lembro-me como se fosse ontem, logo após a festinha dela de 1 aninho, fomos novamente ao Dr. Sá e lá tivemos que tomar uma decisão:

Infelizmente, o olhinho da Vivi não havia melhorado ou seja, seria necessário uma operação para desobstrução do canal lacrimal. Parece algo simples, realmente o procedimento é, mas seria necessário anestesia geral! Quando meu marido ouviu isso, na hora disse: “Não, de jeito nenhum. Não vou deixar minha filha de um ano “tomar” anestesia geral”.  Eu fiquei muitoo nervosa, apreensiva, porém confiante nos dizeres do médico. Depois de alguns dias pensando, conversando sobre o assunto, decidimos que a operação seria inevitável.

Nunca vou me esquecer desse dia: uma manhã cinzenta em São Paulo, estava um pouco frio e a gente se dirigia ao hospital Albert Einsten. O médico foi super acolhedor e tentava nos tranquilizar! Como somente um adulto poderia acompanhar a aplicação da anestesia, pedi para meu marido que eu fosse e ele concordou! Ao vê-la deitadinha, quase sem reação meu coração se partiu ao meio, minha perna ficou “bamba” e minha visão escureceu! Mas fiquei forte e ainda tive estrutura para dar um beijinho e fazer o nome do Pai em sua testinha antes de a levarem para a cirurgia!

Foram os 30 minutos mais difíceis da minha vida…. contando assim parece besteira, mas as mamães de primeira viagem devem entender o que estou falando! Ufaaaaa, decidi escrever sobre isso pois acredito que algumas mães podem estar passando por esse problema! Nada como uma especialista para explicar, certo? Para isso, pedi para a Dra. Luciana Peixoto, especialista que mega confio e já me atendeu, escrever um pouco para a gente! Confiram:

“Doutora, o meu bebê desde que nasceu não pára de lacrimejar, é normal?” “Já teve conjuntivite várias vezes, está sempre com secreção ocular…” “mesmo quando não está chorando aparece lágrima nos olhos”…
Queixas como essas são relativamente comuns no dia a dia de um oftalmologista. Aproximadamente 6 em cada 100 recém nascidos terão algum sintoma como esse, geralmente unilateral. Afeta meninos e meninas na mesma proporção. As crianças com obstrução das vias lacrimais, podem ter também dermatite (assadura) na pálpebra inferior, resultante do contato freqüente da lágrima com a pele e conjuntivites de repetição.
Observe a presença de excesso de lágrima no olho esquerdo
Por que isso ocorre? Essa condição, na maioria das vezes, ocorre pela persistência de uma membrana na região da válvula de Hasner, uma estrutura que controla o fluxo da lágrima pelo ducto ou canal nasolacrimal (Figura 1). Ou seja, a lágrima é formada normalmente pelas glândulas lacrimais, mas a sua drenagem está comprometida por essa membrana que impede o fluxo do líquido até o nariz. Sim! Há comunicação entre o nariz e o olho através desse canal. Quando o bebê nasce com essa membrana, ele terá sintomas relacionados à essa má drenagem da lágrima; é o que chamamos de Obstrução de Vias Lacrimais Congênita (OVLC).
Figura 1: Anatomia das Vias Lacrimais
Outras anomalias como estreitamento do canal, espículas ósseas, presença de outras válvulas ou outras membranas podem ocorrer de forma isolada ou em combinação, resultando em outras
formas de obstrução.
E como é feito o diagnóstico nos nossos pequenos bebês?
O oftalmologista, através da história clínica e com um teste simples, feito no consultório, fará o diagnóstico. Eventualmente haverá necessidade de exames complementares de imagem como a dacriocistografia e a dacriocintilografia.
O teste inicialmente utilizado para o diagnóstico é feito no consultório médico, através da instilação de um colírio chamado fluoresceína em ambos os olhos. Após 5 minutos o especialista removerá o excesso do colírio e observará, com um filtro azul (filtro de cobalto), a presença ou ausência de fluoresceína na superfície ocular. Nos casos de obstrução, após 5 minutos, observa-se a presença de fluoresceína no olho acometido, o que não deve ocorrer em casos de via lacrimal pérvia. Em alguns casos é possível a observação do colírio de fluoresceína na fossa nasal, o que confirma a patência da via lacrimal. Esses testes indicam a presença ou ausência de obstrução. Já os testes de imagem, como
a dacriocistografia, tomografia computadorizada e dacriocintilografia, além de diagnosticar a presença ou ausência de obstrução também podem estabelecer o local da obstrução.
O tratamento da obstrução congênita de vias lacrimais é a princípio conservador, já que aproximadamente 90% dos casos apresentam resolução espontânea até o sétimo mês de vida. É importante enfatizar os cuidados com a higiene, removendo a secreção em excesso, além da massagem local diária.
Essa massagem consiste na compressão do saco lacrimal (no canto do nariz – Figura 1), direcionando o dedo indicador inferiormente, na tentativa de deslocar o material dentro do saco lacrimal e do ducto nasolacrimal para região da válvula de Hasner, fazendo com que o aumento da pressão rompa a eventual membrana persistente. Um momento oportuno para as mamães fazerem a massagem e limpeza é durante as amamentações do seu bebê. O meu primeiro filho teve OVLC e a minha experiência pessoal com a massagem foi muito positiva. Eu aproveitava as horas das mamadas para fazer a limpeza da secreção acumulada no canto do nariz (com um cotonete) e nesse mesmo momento, já fazia a massagem. Dá super certo porque o bebê nessa hora está bem confortável e a posição é bem favorável. Casos leves, não complicados por infecções, com freqüência curam-se espontaneamente até o sétimo mês. Havendo presença de infecção há necessidade do uso de colírios com antibióticos, que serão prescritos pelo oftalmologista.


A sondagem e irrigação do ducto nasolacrimal deve ser realizada quando não ocorre resolução espontânea. Esse procedimento, quando indicado, deve ser realizado em centro cirúrgico por oftalmopediatra experiente, com monitoração de um anestesista, sob anestesia geral. A época da realização da sondagem é um assunto controverso, sendo proposto entre 6 e 14 meses, com sucesso em aproximadamente 90-95% dos casos. A intervenção precoce pode reduzir o número de casos difíceis que possam surgir mais tarde. Se uma criança apresenta somente lacrimejamento, sem infecções recorrentes, apenas observação e massagens são indicadas. Se as infecções são repetitivas, a intervenção cirúrgica pode ser necessária.
A literatura sobre o assunto relaciona fortemente os índices de cura obtidos com a sondagem com a idade dos portadores, relatando diminuição da chance de êxito com o aumento da idade.
Assim, em crianças com menos de 1 ano é possível haver cura em 95%; já, nas maiores de 1 ano, apenas 87% se curam com uma única sondagem. Entre as causas de insucesso com o procedimento devem ser incluídas as alterações da cavidade nasal.
Muitas vezes, a proposta de apenas observar e aguardar pode gerar ansiedade e até frustrações desnecessárias. Por isso é fundamental que você tenha tranquilidade e confiança no seu médico e nas orientações indicadas por ele. Imaginar que os nossos pequenos eventualmente possam precisar de uma intervenção cirúrgica ocular precoce pode mesmo assustar. Mas acredite que isso raramente ocorre e, quando necessário, o índice de sucesso é muito alto. Lembre-se ainda que, esse desconforto
gerado pela obstrução do canal lacrimal, não afeta em nada a visão do seu bebê. Na maioria dos casos, tempo e paciência é mesmo o melhor remédio.
Dra. Luciana Peixoto Finamor é médica oftalmologista da Clínica de Olhos Dr. Moacir Cunha, com Residência e Doutorado pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).
Mãe do Matheus 8 anos, Giovanna 6 anos e Isabella 4 anos.
Apaixonada pela família e pela profissão, nas horas vagas adora fotografar e escrever.
Agradecimentos: Dra. Rosana Cunha, Oftalmopediatra da Clínica de Olhos Dr. Moacir Cunha.
Instagram: @dralucianafinamor
Clínica de Olhos Dr. Moacir Cunha: Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1000.
Fone: 3016.9902

Marina Xandó

ESCRITO POR Marina Xandó

Idealizadora e editora chefe do Ask Mi, Marina é esposa, advogada, blogueira, dona de casa e mãe da Maria Victoria. Começou o AskMi para passar suas dicas adiante. Também é o cérebro - e coração - por trás do Concierge Maternidade AskMi, onde presta consultoria para grávidas, desde o enxoval até organização de recepções e festas.

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