Gente, uma amiga minha estava embarcando para Londres com a filha de 3 anos e a babá! Quando chegaram no aeroporto londrino, para sua surpresa algo muitoo chato aconteceu! Decidi compartilhar com vocês, pois é algo que eu desconhecia e acredito que possa servir para algumas leitoras que estejam planejando ir com babá para a terra da rainha! Eu, que AMO essa cidade, fiquei impressionada com a situação. Pedi para a própria escrever um breve relato, pois ninguém como ela poderia contar detalhes do ocorrido e de como ela se sentiu! Leiam:
“Quando a minha tia resolveu comemorar seus 75 anos em Londres com a grande ideia de reunir familiares e amigos, fiquei muito feliz e logo passou pela minha cabeça em levar a minha babá para me ajudar, já que a programação seria intensa e tínhamos confirmado reservas em restaurantes mais sofisticados e peças de teatro, juntamente com o restante do grupo. Nosso plano inicial era fazer os programas diurnos com minha princesa e, à noite, nos unirmos ao grupo da viagem, para participarmos das festividades com eles, sendo essa a razão principal da nossa viagem.
Reservamos as passagens e, como foi tínhamos muitas milhas, acabamos optando pelas 4 de classe executiva pela British Airlines. A alegria era imensa com a confirmação da viagem por parte dos 3: do meu marido, minha e da minha babá, porque é uma pessoa tão humilde e de valor, que aproveita muito a cada viagem que faz comigo. Essa não era a primeira, já tinha ido à Europa 2 vezes antes, mas nunca para Londres. Uns 10 dias antes, dei a ela um livro de presente com a breve história da cidade para que entendesse um pouco mais tudo o que iria conhecer.
E lá fomos nós, todos felizes para Londres. Após quase 12 horas de voo, aterrissamos em terra inglesa, muito cansados e nem imaginávamos tudo o que estaria por vir. Chegando na imigração, a moça a qual nos atendeu, carimbou nossos passaportes e na vez da Célia, perguntou o que ela era minha. Eu disse que era minha ajudante e que estava me acompanhando para cuidar da minha filha. Imediatamente ela me perguntou se eu não tinha nenhum tipo de visto de trabalho para que ela pudesse entrar. Eu disse que para ir para a Europa, nós brasileiros não precisamos de visto e que esta seria a terceira vez dela na Europa. E que também tinha visto americano no passaporte.
A atendente me pediu um minuto e foi lá dentro consultar seu supervisor e, quando voltou, veio a bomba! Ela disse que ela teria que voltar ao Brasil pois não tem visto de trabalho e não entraria de jeito nenhum. Como ficaria em Londres somente até domingo e chegamos na quarta, me propus a sair de lá com ela e ir para Paris, mas tudo em vão! E o pior que a moça da imigração dizia que teríamos que sair logo dali, pois nosso visto foi concedido e o da Célia foi negado e eles teriam que levá-la!
Imaginem o meu desespero! A Célia não fala uma palavra de Inglês e como eu poderia abandoná-la, sem assistência nenhuma, uma pessoa que estava sob minha total responsabilidade! As lágrimas escorriam da minha filhinha, que com apenas 3 aninhos entendeu toda a situação sem dar nenhuma palavra. Nunca vi tanta injustiça de uma vez!
Chegando no hotel, ligamos para o Consulado Brasileiro em Londres e reportamos a situação e eles foram extremamente atenciosos com o nosso problema, dizendo que deveríamos reportar, pois estavam havendo inúmeras reclamações envolvendo maus tratos com brasileiros e que a companhia aérea que nos levou, deveria ter nos informado no Brasil dessa nova lei, que para levar babá agora precisava de visto de trabalho para entrar na Inglaterra.
Consegui dar um telefonema para a Célia que estava sem comer e sendo interrogada o tempo todo através de um tradutor. Até com a Bíblia dela implicaram, folheando página por página. Os remédios que ela tinha na necessaire para o estômago foram confiscados para averiguação. Durante o interrogatório, perguntavam para ela o que eu e meu marido costumávamos fazer à noite quando saíamos e ela ficava no hotel com a criança! Tiraram o celular dela e somente devolveram na porta do avião, quando embarcou de volta para o Brasil. Ela disse que estava de classe executiva e como pagamos por isso teria direito e eles se entreolhavam e riam da cara dela!
A Célia conseguiu embarcar as 9:00hs da noite e foi escoltada até a porta do avião como prisioneira e ainda a empurraram fortemente que ela ficou com dor nas costas e não preciso nem dizer que ela não veio de classe executiva, a qual tinha todo o direito. O meu sentimento era de impotência total diante à situação e de muita injustiça. Só me acalmei depois que ela aterrissou aqui no Brasil novamente. Ficou tão traumatizada que durante uma semana precisou de calmantes.
Agora eu me pergunto: o que dá a eles o direito de maltratar uma pessoa de bem?! Será preconceito, ou o fato de se sentirem superiores a nós brasileiros!? O que eu sei é que acho Londres o máximo, uma cidade maravilhosa, respeito muito o país e os ingleses, mas não tenho vontade de voltar lá tão cedo!
Fiquei aliviada e muito feliz quando, após 5 dias em Londres, cheguei em Paris; e mais feliz ainda quando 15 dias depois, aterrissei aqui no Brasil, que apesar dos inúmeros problemas é a minha amada terrinha!”
Ainda bem, pois realmente esse relato é muito triste, mas serve para as próximas pessoas que estão indo viajar na mesma situação, e conseguiram ler esse texto!
ESCRITO POR Marina Xandó
Idealizadora e editora chefe do Ask Mi, Marina é esposa, advogada, blogueira, dona de casa e mãe da Maria Victoria. Começou o AskMi para passar suas dicas adiante. Também é o cérebro - e coração - por trás do Concierge Maternidade AskMi, onde presta consultoria para grávidas, desde o enxoval até organização de recepções e festas.

