Já faz um bom tempo que quero escrever sobre PARTO HUMANIZADO! Depois que a nossa musa Gisele Bündchen virou uma espécie de embaixadora oficial desse tipo de parto, minha curiosidade despertou mais ainda!! Quando assisti a entrevista dela na Ana Maria Braga dizendo que seus dois filhos nasceram na banheira de sua casa nos EUA e que ela chegou a meditar e “mandar muita luz” para os bebes na hora do nascimento eu fiquei encantada, juro!! Confesso que não teria essa coragem, mas acho maravilhoso!
Mas minha ideia não era apenas escrever o que li em livros, assisti em documentários, etc….. queria algo mais real, verdadeiro! Como dizem “o tempo traz todas as respostas”… e dias atrás conheci a DOULA Juliana Souza, que faz um trabalho incrível no quesito Parto Humanizado! Pedi então para que ela escrevesse um pouquinho para a gente sobre essa “profissão”, como funciona e muitas outras curiosidades!!! Confiram, você irá se surpreender!
Olá, meninas!
Meu nome é Juliana e sou doula.
O gosto pelo parto normal veio desde pequena, mesmo não tendo casos de parto normal na minha família. Eu gostava, já dizia que era assim que teria meus bebês e ponto. Aos oito ou nove anos, comecei a assistir freneticamente aqueles programas de parto como História de um bebê. Via todo dia e achava fantástico. Com o tempo, fui amadurecendo a ideia toda e resolvi pesquisar melhor sobre o assunto. Foi quando caí nas páginas de humanização do parto. Caí nessas páginas e quase que caí para trás – descobri, do nada, que aqueles partos que eu via eram…cheios de violência obstétrica! Nada daquele fantástico que eu achava ser. E comecei a ler, ler muito, estudar muito, tentando entender o porquê de alguns procedimentos de rotina, como a episiotomia (o famoso pique), o porquê da mulher não poder se alimentar ou escolher a forma mais confortável de parir seu bebê. Foi quando descobri uma coisa que, para mim, foi incrível: existiam profissionais que ajudavam as mulheres a buscarem um parto respeitoso, sem violência e, principalmente, uma experiência positiva. Descobri as doulas. Palavras do pesquisador John H. Kennel:
“Se doula fosse remédio, seria antiético não receitar”
Por que a frase? Kennel, junto do também pesquisador Marshall H. Klaus, publicou um estudo em 1993 que mostra que as parturientes que tinham uma doula junto para apoiá-las, obtiam as seguintes vantagens:
– Redução de 50% nos índices de cesariana;
– Redução de 25% na duração do trabalho de parto;
– Redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural;
– Redução de 30% no uso de analgesia peridural;
– Redução de 40% no uso de ocitocina;
– Redução de 40% no uso de fórceps
Há ainda estudos que apontam maior chance de sucesso no aleitamento, diminuição da chance de depressão pós-parto e maior satisfação com a experiência do parto para aquelas que tinham doulas.

foto tirada do blog gravidez feliz
Conhecendo o mundo realmente fantástico do parto humanizado, decidi me tornar doula. Fiz o curso e a paixão foi, de imediato, tão grande, que não quis parar. Vale frisar que doula não faz procedimento técnico, o que muitas vezes confunde as pessoas. Mas a doula pode ajudar e muito no pré-parto, durante o trabalho de parto e no período pós-parto.
Durante o parto humanizado, as decisões da parturiente são levadas mais em conta. Ou seja, a futura mãe, toda as rédeas da situação e a guia para que se sinta confortável e forte para chegada do seus bebê, mas sempre sendo mantida sua segurança.
O pai, poderá ter toda a liberdade de interagir e confortar a mãe, além da possibilidade da assistência de uma doula que a faça se sentir confortável. Em alguns hospitais internacionais, durante a esperar do parto são permitidos até 4 acompanhantes no quarto, para ajudar a parturiente no que for necessário.
A mãe poderá escolher em que posição ssente mais confortável, tanto para o parto, quanto para as contrações Em alguns hospitais há a possibilidade, de usar bola de pilates, banheiras e banhos para aliviar as dores pré parto. Na realidade é uma lista de potenciais e cuidados que as mulheres, durante um momento tão frágil, tem necessidade.
E qual a importância do parto?
De uns tempos para cá, o tema parto humanizado tem ganhado maior espaço nas mídias, principalmente após a aprovação da resolução 368/15 que estabelece normas para o estímulo do parto normal. Porém, o tema parto humanizado muitas vezes é distorcido e, muitas vezes, fala-se de dele sem a compreensão da diferença entre o parto normal e o parto humanizado.
Afinal, qual a diferença entre parto normal e parto humanizado?
Enquanto o parto normal é apenas uma via de parto, o parto humanizado tem diversas características, sendo sua principal o respeito à mulher, ao seu protagonismo e às escolhas quando feitas munidas de informação.
O respeito às escolhas da mulher.
Começam na gravidez. Quantas de nós não conhecemos uma amiga que era louca por parto normal, mas o médico logo já foi dando uma desculpa? Infelizmente, isso é muito comum. A mulher tem direito de saber as vantagens do parto normal, dos seus direitos como parturiente, das diferentes formas de receber seu bebê.
E quais seriam as escolhas?
Relacionadas ao parto: poder de negar procedimentos desnecessários tanto para a mãe quanto para o bebê. Poder movimentar-se – a posição litotômica, ou seja, deitada, normalmente é desconfortável e causa mais dor à parturiente -, utilizar de métodos não farmacológicos (massagem, água quente, apoio emocional e físico de uma doula) e farmacológicos (analgesia, sempre conversando com a mulher para entender sua vontade), respeito ao ritmo natural do trabalho de parto da parturiente, sem ocitocina sintética e ruptura de bolsa provocada pelo médico.
A dificuldade de parir
Parir é difícil tanto no sistema público quanto no privado. Levemente mais fácil pelo SUS, com 54% de parto normal, enquanto essa porcentagem atinge 98% no sistema privado. O parto no Brasil, hoje em dia, e visto como evento médico, quando, na verdade, é um evento fisiológico. Sim, bebês sabem nascer e mães sabem parir. Uma taxa de 10 a 15% das gestações realmente deveriam terminar em cesárea, por causas necessárias, como placenta prévia e prolapso de cordão umbilical. Para o médico, qual a vantagem em assistir um parto normal? Pouca. Pode demorar, pode ocorrer no meio da madrugada, fins de semana, feriados, aniversário. Uma cesárea pode ser agendada e ele evita tumultos na agenda. Encontrar médico humanizado pelo plano é dificílimo, a maioria só atende particular e, infelizmente, não estão ao alcance de todos. Há, porém, formas de garantir um parto humanizado utilizando-se de leis – algumas municipais e estaduais -, o auxílio de uma doula, entendendo seus direitos e lutando contra o sistema cesarista brasileiro.
E a dor?
A dor não é opcional. O sofrimento é. Ao longo da gestação, nas rodas de humanização, conversamos muito sobre como lidar com a dor e como a contração é uma dor que traz o bebê para o mundo. Preparar-se para sentir dor nunca é fácil, mas é possível e pode ser muito mais fácil lidar com a dor com ajuda de doulas, enfermeiras, educadoras perinatais. Ouço muitas mulheres dizendo que nem se lembram da dor. Quando estão mergulhadas na “partolândia”, no turbilhão de hormônios e no evento fisiológico, tudo torna proporções muito diferentes da realidade…e a dor faz parte, mas não precisa ser o principal.
Como ter meu parto humanizado, com respeito às minhas escolhas?
Informação. Buscar grupos de apoio ao parto humanizado na sua cidade, no facebook, procurar uma doula na sua cidade, ler blogs da humanização. A humanização começa com a informação.
Achei importante colocar aqui para vocês o depoimento de uma doulanda, Thaysa, mãe do Miguel(2) e da Laura(4 meses), que teve o apoio de uma equipe humanizada em ambas as gestações.
Para quem acompanhou a minha gestação e sabia do meu sonho de parto natural deve imaginar a minha felicidade em dizer que depois de uma cesárea completamente necessária na gravidez do Miguel, minha filha nasceu da forma mais natural que poderia ser.
Tive cólicas leves durante o dia e qdo foi umas 22h a coisa apertou, não deu tempo para nada, a fofa da doula Juliana Souza conseguiu chegar em casa, mas a doula Adriana Abujanra, entrou com a gente no hospital, corremos para o quarto e quando a enfermeira fez o toque eu já estava com dilatação total, quase infartei rsrs.
Enfim, não deu tempo da minha mãe chegar, nem do meu ginecologista (o melhor go do mundo) e o pediatra chegarem!!! Nenhuma intervenção nem em mim e nem na minha filha. Só tenho a agradecer a Deus e as pessoas abençoadas que tenho na vida. Ahhhhh e coitado do meu marido, sofreu apertoes, puxões e aguentou firme do meu lado o tempo todo, te amo ainda mais.
Filha eu te amo e obrigada por me mostrar que os bebês sabem nascer e as mulheres sabem parir Cada criança tem o seu tempo, e o seu foi 40 semanas e 5 dias, e vc nasceu perfeita, sem problema nenhum como muitos terroristas vinham me falando”
O papel da doula: Dar apoio informacional, emocional e físico durante a gestação, no trabalho de parto e no pós-parto. Não faz procedimentos técnicos.
Um beijo para vocês,
Juliana Souza
Estudante de enfermagem, doula formada pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa desde julho de 2014.
Para dúvidas, podem me escrever: >Julianafsza96@gmail.com
ESCRITO POR Marina Xandó
Idealizadora e editora chefe do Ask Mi, Marina é esposa, advogada, blogueira, dona de casa e mãe da Maria Victoria. Começou o AskMi para passar suas dicas adiante. Também é o cérebro - e coração - por trás do Concierge Maternidade AskMi, onde presta consultoria para grávidas, desde o enxoval até organização de recepções e festas.



