Quando a coceira não passa: entenda a dermatite atópica!

Quando a coceira não passa: entenda a dermatite atópica!

Coceira intensa, ressecamento, vermelhidão e descamação estão entre os principais sinais da dermatite atópica, uma doença inflamatória crônica que afeta a pele e pode surgir em diferentes fases da vida, embora seja mais comum na infância. Não contagiosa, a condição costuma alternar períodos de melhora com fases de intensificação dos sintomas. No Brasil, estima-se que cerca de 4,6 milhões de pessoas convivam com a doença, segundo dados da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), do Ministério da Saúde.

“Na dermatite atópica, há uma disfunção da barreira da pele, que aumenta a perda de água, causando ressecamento e coceira. Essas falhas também facilitam a entrada de substâncias que podem irritar a pele e desencadear inflamação. É um ciclo: quanto mais inflamada, mais fragilizada a pele fica”, explica a Dra. Thais Barcellos, médica e professora de Dermatologia da Afya Educação Médica Itaperuna.

 

 

O que pode desencadear as crises?

De acordo com a dermatologista, a dermatite atópica não tem uma causa única. Fatores genéticos e imunológicos estão envolvidos, assim como aspectos ambientais. Vale destacar, ainda, que pessoas com histórico familiar de doenças alérgicas, como asma e rinite, podem apresentar maior predisposição.

No dia a dia, algumas causas podem contribuir para o surgimento ou agravamento das crises. Entre eles estão banhos muito quentes e demorados, uso excessivo de sabonetes, produtos com fragrância, suor, calor, estresse e clima frio ou seco. Tecidos como lã e alguns materiais sintéticos também podem causar irritação em determinadas pessoas. Os gatilhos, porém, não são necessariamente os mesmos para todos. Por isso, identificar situações que costumam piorar os sintomas pode ajudar no controle da doença.

Hidratação é parte do tratamento

Manter a pele hidratada não deve ser uma preocupação apenas durante as crises. Segundo a especialista, o cuidado contínuo é fundamental para preservar a barreira cutânea e reduzir a ocorrência de novas exacerbações. “A hidratação é uma medida central no tratamento da dermatite atópica e deve ser mantida mesmo quando a pele parece estar bem. A recomendação é utilizar o hidratante pelo menos duas vezes ao dia e sempre que houver ressecamento”, orienta.

O momento da aplicação também faz diferença. O ideal é passar o produto logo após o banho, de preferência em até três minutos, enquanto a pele ainda estiver levemente úmida. A aplicação deve ser generosa, especialmente nas áreas mais ressecadas. Além da hidratação, a médica recomenda banhos de cinco a dez minutos, com água morna, e o uso de sabonetes suaves, sem fragrância, apenas nas regiões necessárias. Depois, a pele deve ser seca com toques leves, evitando esfregar a toalha. Roupas de algodão podem ser uma opção mais confortável para quem apresenta sensibilidade, enquanto perfumes, produtos muito perfumados e amaciantes fortes podem ser evitados quando identificados como fatores de piora.

Outro ponto de atenção destacado pela especialista é a coceira, um dos sintomas mais característicos da dermatite atópica. O ato de coçar pode romper a pele, intensificar a inflamação e criar pequenas lesões que facilitam a entrada de microrganismos. Por isso, manter as unhas curtas é uma medida simples que ajuda a minimizar esses danos, especialmente durante as crises. “Quando a coceira é intensa, é comum que a pessoa se coce até mesmo sem perceber, principalmente durante o sono. Manter as unhas curtas reduz o risco de lesões e ajuda a evitar que a pele já fragilizada pela dermatite seja ainda mais machucada”, explica Dra. Thais.

Tratamento varia conforme a gravidade

O tratamento da dermatite atópica é individualizado e leva em consideração fatores como idade, intensidade dos sintomas e extensão das áreas afetadas. Durante as crises, medicamentos tópicos podem ser prescritos para controlar a inflamação. Em quadros mais intensos ou que não respondem adequadamente às opções iniciais, podem ser indicados tratamentos como fototerapia e medicamentos sistêmicos. Entre as possibilidades estão imunossupressores, imunobiológicos e inibidores de JAK. A escolha depende da avaliação médica.

Em alguns pacientes, o(a) dermatologista também pode recomendar a chamada terapia proativa, que consiste na aplicação de medicamentos anti-inflamatórios tópicos em áreas que apresentam crises recorrentes, mesmo quando a pele está aparentemente sem lesões.

A dermatite atópica é uma doença crônica e não tem cura definitiva, mas pode ser controlada. O objetivo do tratamento é reduzir a inflamação, restaurar a barreira da pele, diminuir a frequência das crises e minimizar impactos como coceira, alterações no sono e prejuízos à qualidade de vida. “O controle depende da continuidade da rotina, e não apenas do tratamento quando a crise aparece. Com acompanhamento dermatológico e constância nos cuidados, é possível passar longos períodos sem lesões e ter uma boa qualidade de vida”, conclui Dra. Thais.

 

Fonte: Beatriz F. (beatriz.felicio@midiaria.com) / Dra. Thais Barcellos, médica e professora de Dermatologia da Afya Educação Médica Itaperuna

Marina Xandó

ESCRITO POR Marina Xandó

Idealizadora e editora chefe do Ask Mi, Marina é esposa, advogada, blogueira, dona de casa e mãe da Maria Victoria. Começou o AskMi para passar suas dicas adiante. Também é o cérebro - e coração - por trás do Concierge Maternidade AskMi, onde presta consultoria para grávidas, desde o enxoval até organização de recepções e festas.

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Como evitar o agravo de alergias respiratórias e de pele no inverno!

Como evitar o agravo de alergias respiratórias e de pele no inverno!

O inverno é o tipo de estação “ame ou odeie”. A queda das temperaturas é o amor de uns, mas o terror de outros, principalmente pelo aumento dos sintomas daqueles que lidam com alergias respiratórias e de pele.

“As alergias respiratórias (como rinossinusites e asma) pioram nesse período porque é um momento de baixa umidade do ar, de alterações bruscas de temperatura e do aumento da poluição atmosférica”, explica a Dra. Brianna Nicolette, alergista e imunologista pela USP.

Essas condições climáticas, por si só, são mais irritantes para a pele e a mucosa de qualquer pessoa. No entanto, para os alérgicos esse efeito irritativo costuma ser pior, já que aumenta a exposição às proteínas alergênicas.

Some-se a isso a vestimenta: no inverno, as pessoas costumam usar roupas de lã e cobertores – ou seja, tecidos que acumulam ácaros -, e que, muitas vezes, estavam a vários meses no armário. Também é habitual nessa época do ano ficarmos em ambientes fechados e com pouca ventilação, o que favorece o desencadeamento de doenças respiratórias e alérgicas.

 

 

“As alergias de pele, como a dermatite atópica e a urticária, também têm impacto nos dias mais frios”, explica a Dra. Brianna. “Nesse caso, os fatores mais prejudiciais nessa época do ano são a baixa umidade relativa do ar e o aumento na temperatura dos banhos, fatores que ressecam ainda mais a pele dos pacientes.”

Pacientes que já convivem com alergias de pele apresentam uma deficiência na barreira cutânea, que tem como função manter a água do organismo – isso significa que essas pessoas perdem mais água do que o normal.

“Por isso, o banho quente, para essas pessoas, é altamente prejudicial, pois a água em altas temperaturas remove o óleo natural da pele, deixando-a mais ressecada e sem proteção”, explica.

Dicas para evitar o agravamento de alergias!

Com tudo isso em mente, o que fazer para evitar a piora das alergias? A Dra. Brianna elencou algumas dicas essenciais e que podem fazer toda diferença nessa época do ano:

– Sempre que possível, abra janelas e portas para arejar o ambiente
– Lave as roupas de inverno antes de usá-las
– Não esqueça de tomar água para manter a hidratação do corpo (e da pele!)
– Evite banhos muito quentes e muito longos
– Use cremes hidratantes adequados para fortalecer a proteção cutânea
– Evite que pets entrem nos quartos e durmam nas camas das pessoas alérgicas (já que o acúmulo de pelos pode aumentar alergias)
– Sempre que possível, tome um pouco de sol para estimular a produção de vitamina D

 

Fonte: Michelly Update Comunicação (michelly@updatecomunicacao.com.br)

Imagem: https://www.saudeemdia.com.br/alergias/dia-mundial-da-alergia-saiba-quais-sao-alergias-respiratorias-mais-comuns-no-inverno/

Marina Xandó

ESCRITO POR Marina Xandó

Idealizadora e editora chefe do Ask Mi, Marina é esposa, advogada, blogueira, dona de casa e mãe da Maria Victoria. Começou o AskMi para passar suas dicas adiante. Também é o cérebro - e coração - por trás do Concierge Maternidade AskMi, onde presta consultoria para grávidas, desde o enxoval até organização de recepções e festas.

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