Insuficiencia do Colo Uterino- Parte II

Oi meninas, tudo bem? Lembram que há quase um ano atrás postei um relato emocionante da gravidinha Daniela que, com 27 semanas, seu médico constatou que ela estava com o “útero aberto” (na verdade ela foi diagnosticada com incompetência istmo cervical, um problema que atinge 1% das mulheres). Pois é, sua princesa já nasceu, está tudo bem e hoje ela volta para contar como está sua princesa e como foi o parto e os primeiros dias dessa nova vida, confiram:

Quando escrevi no blog a respeito do repouso super rigoroso que eu fiz por quase 3 meses após ter sido diagnosticada com insuficiência do colo uterino não imaginei na época que receberia e-mails tão incentivadores e carinhosos.

Para minha grata surpresa, nas últimas 2 semanas recebi mais e-mails das leitoras da Marina perguntando como eu e a Valentina estávamos, alguns até receosos por não saber se a Valentina realmente tinha nascido e um e-mail cheio de dúvidas (espero que esclarecidas) de uma mamãe que fez a mesma cirurgia que eu pra “segurar” as gêmeas que espera.

Venho contar pra vocês como foi o final da minha gestação e como tem sido a vida de mamãe de primeira viagem.

Bom, quando escrevi para o blog estava de 34 semanas ( fiquei de repouso desde a 25 semana) e graças a Deus, conseguimos chegar até as 38 semanas/ 9 meses (digo conseguimos, porque se não fosse pela ajuda incondicional da minha mãe e irmã que me alimentavam, me banhavam, me ajudavam em tudo, tudo mesmo, seria impossível a vitória).

Quando completei 9 meses, fui até o consultório médico ( desde a cirurgia não havia caminhado pela casa e nem havia andado de carro) , mas meu médico liberou . Na consulta ele disse: “pode marcar a cesárea, pois ela está pronta pra nascer, quer pra amanhã ou depois?” Dei um Google rápido e vi que dia 06/11 era o dia do sorriso, pronto, eu havia escolhido o dia. Meu coração parecia que ia sair do peito, liguei pro meu marido que estava em semana de reunião do trabalho e disse: “vai ser daqui dois dias, volte”.

Havíamos conseguido! Minha Valentina iria conhecer o mundo em menos de 48 horas. E eu a desejava tanto, eu só queria pegá-la, beijá-lá, amamentá-lá, dizer a ela que o “esforço” ( ou melhor, a falta de esforço …rsrsrs) foi só uma amostra de tudo o que sou e serei capaz de fazer por ela.

E assim ela veio ao mundo, no dia 6/11, maravilhosa, delicada, pequenina, com 2,610k, 46cm e uma nota que eu me orgulho muito, o apgar dela foi 10/10. E honrando o dia que nasceu, ela é um dos bebês mais sorridentes que eu conheço.

Em dois dias estávamos em casa e confesso que a sensação de medo é dúvida invadiu meu ser, infelizmente foi maior que a sensação de alegria e superação, não me orgulho destes sentimentos, sinto até um pouco de vergonha, mas acredito que muitas mães vão se identificar e não vão me condenar.

A Valentina era (ainda é um pouco) um bebê extremamente nervoso, chorou muito e até hoje só se acalma com muito colo, peito e carinho. Não que eu não esteja disposta a dar tudo isso, eu sempre estou. Mas algumas vezes o cansaço bate, o sentimento de impotência impera, a dúvida : “o que eu estou fazendo de errado”? fala mais alto.

Nos primeiros meses, por puro despreparo, passamos uns “perrengues”, a adaptação não é fácil. Conversava com algumas amigas que haviam se tornado mães no mesmo período e elas me diziam que já estavam voltando a rotina de antes: academia, salão de beleza, que os filhos dormiam bem, mamavam bem. Por diversas vezes desliguei o telefone com os olhos marejados e com o coração apertado: porque a minha não é assim?

Meu conselho a todas as mães é que se respeitem, que não se condenem se o sentimento de tristeza tomar conta de vocês em alguns momentos, tentem conhecer melhor os seus bebês, evitem comparações (essa é difícil né ?), não se iludam que o enxoval perfeito, o carrinho mais top ou o berço mais caro farão com que o bebê não chore, durma bem ou que goste de ficar em qualquer lugar que não seja o seu colo. A expectativa que nós mães colocamos nas coisas materiais, definitivamente não são garantias de nada. Na minha ignorância eu pensava: ” comprei o carrinho mais badalado do mercado, impossível ela não gostar de ficar nele”. Bingo! Basta ela ver o carrinho pra chorar , chorar muito.

Não somos obrigadas a estar radiantes já na sala de recuperação, podemos sim decidir um horário pra visitas, podemos chorar, desabafar, pedir colo. Esperamos ouvir mais frases compreensivas como :”eu passei por isso” do que “faça isso, faça aquilo”.

Certa vez li este trecho que até decorei, acho que resume tudo: ” O dia que o filho nasce é o dia que você deixa de ser cuidado pra cuidar, deixa de ser protegido pra proteger. E isso cansa, dói, desgasta, a ponto de te fazer chorar por vezes. É como se alguém desse uma martelada no seu coração, para quebrar toda a casca dura que existe em volta, porque é preciso abrir essa casca para que você consiga amar de verdade.

Você acha que não vai conseguir dar conta, que nunca mais terá um momento de paz, que sua vida se resumirá a rotina (pesada) dos primeiros meses. Mas o dia em que o filho nasce é também o dia que você nasce de novo, porque na hora que aquela casca é quebrada, você descobre força e coragem, para ser a mãe ou o pai que seu filho precisa que você seja. E você percebe que só existe um caminho pra seguir : para frente!

E aí você se despede de quem foi, com a sensação de que mudou para MUITO melhor”

Hoje, minha Valentina tem quase 10 meses, não há nada no mundo que se compare ao sorriso banguelinha dela, aos beijos que me dá, aos carinhos que faz no meu rosto. Nossos dias têm sido cada vez melhores, todo dia aprendo muito mais que ensino.

E não é clichê, farei tudo por ela, sempre fiz, sempre vou fazer…e que mãe não?

Beijos,

Daniele

Marina Xandó

ESCRITO POR Marina Xandó

Idealizadora e editora chefe do Ask Mi, Marina é esposa, advogada, blogueira, dona de casa e mãe da Maria Victoria. Começou o AskMi para passar suas dicas adiante. Também é o cérebro - e coração - por trás do Concierge Maternidade AskMi, onde presta consultoria para grávidas, desde o enxoval até organização de recepções e festas.

#inspiração#saude
8 comentários
  • Vou começar pedindo desculpas por ainda não ter lido tudo porque já estava indo dormir, mas ao ver esse bebe nesse desespero de choro e esse vestido vermelho botei a culpa no vestido. Será que essa cor faz bem?Loucura da minha mente, mas nunquinha eu poria essa cor…mil desculpas,mas precisava falar….

  • Daniele, amei o seu post!!! Que bom que sua filha está ótima, gracas a Deus! me identifiquei com muitos dos seus comentarios, e esse "medo" pos parto é bastante comum, ainda mais para a gente que ficou bastante de repouso. Voltar a vida "normal" nao é tao facil quanto parece, requer toda uma nova adaptacao mesmo…!! conversei com outras maes que passaram por repouso e tb tiveram essa dificuldade.
    ahhh e sobre a valentina ser chorona etc, minha primeira filha também era MUITO, era desesperador… mas depois passa!! ela ainda tem a personalidade BEM forte, mas com o tempo vamos aprendendo a lidar…!!! esse comecinho é mto dificil mesmo!!! fica firme que tudo só melhora!!!
    beijos e parabens por todo seu esforco!

  • Oi Daniele, parabéns pela sua bebê, adorei o seu relato, mto verdadeiro, tenho duas meninas e acho o pós-parto uma fase mto difícil mesmo, ainda mais do primeiro filho, a minha primeira filha também chorou mto, tinha cólica, já a segunda não teve e foi td mais tranquilo!!
    Bjnhos pra vc e sua filhota

  • Dani amei tudo que você escreveu, realmente quando saímos da maternidade,junto com o bebê levamos o medo, a insegurança e tudo mais que nos faz se sentir incapaz, mas o melhor de tudo que como passar do tempo descobrimos que somos mais fortes do que imaginamos.

    Pra mim você não é uma boa mãe e sim uma super mãe,prova disto é que você abriu mão de um montão de coisas para ter hoje em seus braços seu maior e melhor presente.

    E tenha certeza que Deus vai te glorificar muito por isto, pois filhos são anjos que vem em nossa vida para nos abençoar.

    Parabéns e muita saúde para as duas.

    Luisa

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